Nos bastidores, partidos articulam paralisar análise da PEC da prisão após condenação em 2ª instância

Camarotti fala sobre o caso do traficante André do Rap e o impasse no Congresso

Camarotti fala sobre o caso do traficante André do Rap e o impasse no Congresso

Apesar da pressão externa pela retomada da análise no Congresso da chamada PEC da prisão após condenação em segunda instância e da revisão de trecho do pacote anticrime, há um movimento silencioso, suprapartidário, no Legislativo para segurar a tramitação desses dois temas.

Lideranças do chamado Centrão e de legendas da esquerda e da direita não querem mexer nesse assunto. Há um ambiente majoritário de autoproteção do Congresso, ainda muito assustado depois que vários parlamentares entraram na mira da operação Lava Jato nos últimos anos.

Esse movimento ganhou força depois que o Centrão entrou oficialmente na base do governo e o presidente Jair Bolsonaro abandonou as bandeiras de campanha em defesa da Lava Jato e pela prisão a partir da condenação em segunda instância.

Nesta terça-feira (13), Bolsonaro evitou a imprensa para não ter que responder questionamentos sobre a retomada da PEC e ao veto dele ao artigo 316 do pacote anticrime que embasou a soltura do traficante André do Rap. Essa parte da lei determina a reavaliação das prisões preventivas em todo o país a cada 90 dias.

“Apesar da pressão externa, o Congresso não quer ficar exposto neste tema. É melhor não colocar na pauta, pois a proposta da prisão em segunda instância não tem maioria aqui. Até mesmo o presidente Bolsonaro já não fala mais nesse assunto”, disse ao blog um líder de um dos partidos do Centrão.