Números da criminalidade indicam queda de homicídios e roubos de veículos no Rio Grande do Sul

Levantamento da Secretaria da Segurança Pública foi realizado com base no mês de setembro

Foto: Divulgação

Levantamento da Secretaria da Segurança Pública foi realizado com base no mês de setembro. (Foto: Divulgação)

O mais recente levantamento da SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Rio Grande do Sul indicou, durante o mês de setembro, uma queda nos números de homicídios e de roubos de veículos.

Uma redução inédita dos assassinatos também foi verificada em setembro. O total caiu de 126 em 2019 para 103 no mês passado, representando uma diminuição de 18,3%. Trata-se do menor resultado para o mês em toda a série histórica deste tipo de crime iniciada em 2005.

Com o resultado, a SSP constatou que foi mantida a diminuição no acumulado de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Na soma de vítimas entre janeiro e setembro, o total reduziu de 1.380 no ano passado para 1.281 neste ano, uma queda de 7,2%, sendo o menor número desde 2007, que teve 1.271 óbitos por assassinato no intervalo de nove meses.

Segundo a SSP, o foco territorial no combate à criminalidade, estratégia empregada pelo RS Seguro, segue como principal fator para a queda nos homicídios. Porto Alegre lidera com 31 vítimas a menos, seguida de Pelotas (-27), Gravataí (-23), Bento Gonçalves (-19), Canoas e Tramandaí (-13), além de outras quatro cidades.

Além disso, seis municípios dos 23 priorizados para a análise mensal da GESeg encerraram setembro com zero homicídios registrados: Cachoeirinha, Ijuí, Lajeado, Sapucaia do Sul, Tramandaí e Capão da Canoa. Neste último município, completaram-se dois meses consecutivos sem nenhuma vítima de assassinato.

Roubo de veículos

De acordo com a pesquisa, o roubo de veículos teve uma queda de 39,8% em setembro em comparação ao mesmo do ano passado. Houve 496 ocorrências no mês passado contra 824 registradas em igual período em 2019. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, é como se “durante os 30 dias apenas um veículo tivesse sido levado por criminosos em cada um dos municípios gaúchos, e ainda restaria uma cidade sem qualquer delito do tipo”.

De acordo com a SSP, a queda histórica também contribuiu para aprofundar a diminuição no acumulado desde janeiro deste ano na comparação com igual período de 2019. A soma de ocorrências em nove meses baixou 24,6%, passando de 8.658 para 6.525.

Desde que começou a contabilização em 2002, o número de roubos de veículos ficou abaixo de 500 casos em um mês no RS. Já o pico de ocorrências ocorreu em setembro de 2015, quando 2.126 condutores tiveram seus automotores roubados, o que representa uma redução de 77% em relação ao registrado em setembro passado.

Entre os fatores atribuídos à queda, a SSP aponta “o êxito do trabalho ininterrupto das forças de segurança e do planejamento estratégico do RS Seguro, a partir da análise mensal realizada pela Gestão de Estatística em Segurança”, além de “certa influência do distanciamento social de prevenção à Covid-19”. A atuação da Brigada Militar e da Polícia Civil também contribuíram para a queda nos números.

A ampliação do número de câmeras de videomonitoramento e cercamento eletrônico à disposição do DCCI (Departamento de Comando e Controle Integrado) da SSP também colaborou com o índice.

Em Porto Alegre, por exemplo, são cerca de 700 câmeras em todas as regiões da cidade. A Capital teve cerca de 1 mil roubos de veículo a menos no acumulado desde janeiro, com 2.762 ocorrências frente os 3.808 registros em igual período do ano passado, representando uma redução de 27%.

O roubo de veículos, ao lado dos crimes violentos letais intencionais e do roubo a pedestre, compõe o grupo de indicadores fixos de avaliação nos 23 municípios priorizados pelo programa RS Seguro.

A marca atual é ainda mais expressiva diante do tamanho da frota gaúcha. Nos últimos cinco anos, o número de veículos em circulação no RS cresceu 9%, subindo de 6,4 milhões em 2016 para 7 milhões neste ano, conforme dados do DetranRS (Departamento Estadual de Trânsito).

Outros indicadores

Um crime contra a vida que acumula também redução é o latrocínio. Entre janeiro e setembro de 2019 foram apurados 57 roubos com morte em todo o RS, enquanto o mesmo período deste ano registrou 51 casos, uma queda de 10,5%. Em setembro, houve um latrocínio a mais do que no mesmo mês do ano passado: de quatro para cinco casos.

Entre os crimes patrimoniais, que mantiveram cenário generalizado de redução, o destaque é também para a queda acima da metade nos ataques a banco em setembro. Enquanto o mesmo mês de 2019 teve oito ocorrências do gênero, o mesmo período em 2020 teve apenas três casos, uma retração de 62,5%.

Para a SSP, trata-se da maior queda percentual e o menor total no período em toda a série histórica, que a partir de 2012 passou a contabilizar em separado os números de ações contra estabelecimentos bancários.

A redução também é recorde quando considerado o total acumulado desde janeiro. A soma de casos até setembro caiu de 85 em 2019 para 40 em 2020, uma baixa de 52,9%. O trabalho de inteligência e pronta resposta realizado pela Operação Angico da Brigada Militar é um dos principais fatores para desarticulação das organizações criminosas especializadas em atacar instituições financeiras.

Outros crimes contra patrimônio também apresentaram queda em setembro desse ano na comparação com o mesmo mês em 2019. Os roubos em geral, por exemplo, passaram de 5.079 para 3.207 casos (-24,4%), os furtos, de 9.310 para 6.338 (-31,9%), e os ataques a estabelecimentos comerciais, de 590 para 446 ocorrências.

Já os feminicídios tiveram uma redução no RS pelo quinto mês consecutivo. Houve seis vítimas em setembro deste ano contra sete no mesmo mês de 2019, significando uma diminuição de 14%. Por sua vez, o acumulado de mulheres assassinadas em razão do gênero desde janeiro de 2020 segue abaixo do registrado em igual período do ano anterior: passou de 70 para 63 vítimas, uma redução de 10%.

O cenário também é de retração ou estabilidade no comparativo de acumulados em nove meses de 2019 e 2020 entre os outros quatro indicadores de violência contra a mulher monitorados pela SSP: ameaças (-13,1%), lesões corporais (-10,1%), estupros (-1,6%) e tentativas de feminicídios (-0,8%).

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