Pesquisadores apresentam nova espécie de ancestral de mamíferos que viveu há 225 milhões de anos no RS


Descoberta foi publicada em periódico científico internacional. Estudo faz parte do projeto de doutorado da paleontóloga Micheli Stefanello. De pequeno porte, cinodonte foi descrito em jornal internacional de paleontologia
Márcio L. Castro
Uma nova espécie de cinodonte, um antepassado dos mamíferos que viveu há 225 milhões de anos, no Período Triássico, foi apresentado pelos pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e do Museu Argentino de Ciências Naturais. Fósseis do animal foram encontrados em Agudo, na Região Central do RS.
O estudo faz parte do projeto de doutorado da paleontóloga Micheli Stefanello. A descoberta foi destaque do periódico científico Journal of Vertebrate Paleontology.
“É uma importância a nível mundial. Descrevemos uma espécie fóssil que não é registrada pra nenhum outro lugar do mundo. O Agudotherium gassenae [nome científico da espécie] apresenta uma combinação de características mandibulares e dentárias única. E quanto mais informações nós tivermos sobre esses pequenos animais, mais podemos saber como eram esses ancestrais dos mamíferos”, afirma Micheli, ao G1.
Os pesquisadores localizaram fragmentos da mandíbula do cinodonte, em 2017. Dois anos depois, no mesmo sítio arqueológico, encontraram outra parte de uma mandíbula. As descobertas ajudaram a reconstituir o animal, com base nas características de outros cinodontes já conhecidos.
Fragmento da mandíbula do novo cinodonte foi encontrado em Agudo
Divulgação
Micheli ressalta que não é possível determinar se as duas partes da mandíbula encontradas tenham pertencido a um só animal. É provável que sejam fósseis de dois animais da mesma espécie.
De pequeno porte, o animal media aproximadamente 30 centímetros de comprimento. Dada a dentição, os pesquisadores concluíram que ele provavelmente teria uma dieta carnívora e insetívora.
Provavelmente, esses animais viviam em tocas e tinham hábitos noturnos, sendo presas de predadores maiores, como os dinossauros.
Segundo a UFSM, o Agudotherium gassenae é a segunda espécie descrita para o Sítio Niemeyer, localizado no interior do município de Agudo.