Desacelera a detecção de carga viral de coronavírus nos esgotos do RS

Coletas de amostras de água realizadas pela Fepam.

Foto: Divulgação/Fepam

Coletas de amostras de água realizadas pela Fepam. (Foto: Divulgação/Fepam)

O 4º Boletim de Acompanhamento do monitoramento ambiental do coronavírus na Região Metropolitana demonstra uma diminuição da carga viral encontrada em todos os tipos de coleta de água, retirados nas ETE (Estações de Tratamento de Esgoto) e águas superficiais. De acordo com a chefe da Divisão de Vigilância Ambiental do Cevs (Centro Estadual de Vigilância em Saúde), Aline Campos, “nas amostras retiradas das estações de tratamento, que são ambientes mais controlados, isso fica bem evidente. Nos arroios também ocorreu a diminuição, mas os dados são menos constantes”. A desaceleração foi constatada a partir da segunda semana de setembro, em consonância com a estabilização da pandemia da Covid-19 no território.

De acordo com o mais recente boletim, “o monitoramento ambiental do SARS-CoV-2 através da análise de águas residuárias tem se mostrado uma ferramenta promissora como indicador de presença e variação na transmissão do novo coronavírus em uma população”. O estudo acontece em parceria com diversas instituições do setor e universidades, e tem demostrado a relação entre a presença do vírus nos esgotos e o número de casos positivos da Covid-19 na região abrangida.

A pesquisa

A pesquisa é inédita no Estado e conta com parceria de diversas instituições, como Universidade Feevale, Ufrgs (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Fiocruz-RJ (Fundação Oswaldo Cruz), Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental), Dmae (Departamento Municipal de Água e Esgotos), Smams (Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade de Porto Alegre), Secretaria Municipal de Saúde de Novo Hamburgo, Comusa (Companhia Municipal de Saneamento de Novo Hamburgo), Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto de São Leopoldo) e Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento).

A professora do mestrado em Virologia da Feevale e uma das coordenadoras do projeto, Caroline Rigotto, ressalta que o grupo já está trabalhando no projeto de expansão da pesquisa. “Estamos pensando em pontos estratégicos, como comunidades em vulnerabilidade social e com déficit de esgotamento sanitário”, afirma, acrescentando que a epidemiologia baseada em esgoto é uma ferramenta que foi bem aceita e, provavelmente, se estenderá a médio e longo prazos, auxiliando no monitoramento e antecedendo surtos isolados.

As análises

As amostras de água coletadas de estações de tratamento, de efluentes hospitalares e de pontos de captação de água bruta passam por análise molecular para definir a ocorrência e quantificação do RNA viral do coronavírus. Planeja-se estender o monitoramento por 10 meses, permitindo acompanhar a ocorrência e distribuição do vírus ao longo da epidemia e das diferentes sazonalidades.

Aline Campos diz que esse estudo está em andamento também em Minas Gerais, São Paulo e em países como Holanda, Itália e Austrália. Nesses lugares, é possível apontar um aumento da presença do coronavírus nos esgotos conforme aumenta o número de casos confirmados da Covid-19 no local, o que vem se confirmando também aqui no Estado. A realidade do Rio Grande do Sul, porém, é bem diversa desses lugares e deve ser levada em consideração na pesquisa.

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